Caminhos Traçados na Cidade dos Pobres

Vinicius da Silva Rodrigues

Resumo


São várias as histórias que compõem Cidade de Deus, de Paulo Lins: é a narrativa de um lugar e da transformação deste espaço através da lógica do crime; são histórias de bandidos, de malandros, de marginais e também daqueles que procuram se libertar desse sistema através de uma espécie de “discurso de redenção” que fatalmente se coloca como insuficiente, levando estes anti-heróis a cumprirem destinos trágicos. A grande saga de um bairro confunde-se com a história do crime organizado na cidade do Rio de Janeiro, tão semelhante a outros locais do Brasil, sem perder sua força poética e dramática, apoiando-se numa estrutura e numa linguagem cuidadosamente elaboradas. Neste artigo, propõe-se a leitura deste importante romance contemporâneo, raro dentro da historiografia literária brasileira em vários sentidos, a partir da análise de alguns personagens fundamentais que buscam ao longo de sua jornada uma saída, apoiada no desespero, na esperança, no medo ou, ainda, na fé – encontrando-a de fato ou utilizando-a como subterfúgio; são personagens que ilustram o mosaico das possibilidades e impossibilidades nas trajetórias humanas dos que estão à margem, imersos na lógica que permeia a maior parte das periferias dos grandes centros urbanos do país. E é nesse caráter humano que tais figuras acabam por dialogar tão perfeitamente com o sentimento do indivíduo frente ao vislumbre da morte e a necessidade e instinto de sobrevivência que lhes são tão caros.

Palavras-chave


Cidade; Favela; Morte; Romance brasileiro.

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DOI: https://doi.org/10.22456/1981-4526.25829

Revista Nau Literária | ISSN 1981-4526 | Universidade Federal do Rio Grande do Sul