A dialética entre a Identidade e a Cidade, mediada pela Memória, representada em Mãos de Cavalo

Aline Venturini

Resumo


Propomos, neste artigo, analisar a dialética identitária entre o personagem Hermano da obra Mãos de Cavalo, de Daniel Galera e a cidade de Porto Alegre, considerando a transformação gradual do personagem e do espaço urbano. A mudança sinaliza para um sujeito e uma cidade fragmentadas. O conflito de Hermano é ter visto seu amigo Bonobo ser assassinado e nada ter feito para salvá-lo. Esse tormento o acompanhou durante toda a vida e a possível resolução poderia estar no retorno ao bairro Esplanada, palco do acontecimento, o que propicia uma catarse, que o ajudaria a reviver o que ficou em suspenso durante muitos anos. Ocorre, então, uma espécie de retomada do passado e o confronto do personagem com suas diversas faces e conflitos. O trabalho estrutura-se a partir de três perspectivas do personagem, quais sejam, a relação entre distância geográfica dele e o bairro Esplanada; o tempo transcorrido entre a infância e a idade adulta e a memória; a consciência na ressignificação do passado. Os sentidos que resultam dessas três perspectivas se dão em função da cidade de Porto Alegre, no bairro Esplanada, quando a personagem completa 30 anos, e, em sua maturidade sente- se capaz de estabelecer relações entre a infância, a juventude e a maturidade, do que decorre a busca do passado, que de certa forma, determina o presente.

Palavras-chave


identidade; cidade; memória; consciência.

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DOI: https://doi.org/10.22456/1981-4526.24612

Revista Nau Literária | ISSN 1981-4526 | Universidade Federal do Rio Grande do Sul