A construção da identidade nacional em "O vendedor de passados"

Mariana Aparecida de Carvalho, Elzira Divina Perpétua

Resumo


Propomos analisar o romance O vendedor de passados, do angolano José Eduardo Agualusa pensando questões referentes às ideias de nação, memória, bem como da construção de uma identidade nacional no contexto do pós-independência de Angola. Neste romance estão presentes fatores ligados à construção de Angola enquanto nação, sendo ficcionalizados como desejo de construção de uma nova identidade nacional através da falsificação de novos passados. Desta forma, O vendedor de passados pode ser lido como uma metaficção historiográfica, termo cunhado por Linda Hutcheon (1988), uma vez que a obra ficcional se volta para o passado não para recontá-lo como reconstituição, mas para reconstruí-lo com base no que poderia ter acontecido, sob um viés crítico, atribuindo, assim, ao discurso historiográfico uma nova significação. Refletimos, ainda, sobre a construção da memória, inerente à ideia de construção da identidade nacional angolana presente na narrativa de Agualusa, abordando, também, a problemática da pós-modernidade que perpassa o romance, sobretudo se investigarmos a temática da obra, bem como os fatores utilizados para que ela seja composta - fatores como ironia, paródia e a presença do passado, que de acordo com Hutcheon são características essenciais das obras que compõem a chamada pós-modernidade.

Palavras-chave


identidade; nação; memória; metaficção historiográfica; pós-modernismo

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DOI: https://doi.org/10.22456/1981-4526.20607

Revista Nau Literária | ISSN 1981-4526 | Universidade Federal do Rio Grande do Sul