A obra aberta de Qorpo-Santo

Thiago de Freitas

Resumo


Em 1877 o gaúcho José Joaquim de Campos Leão Qorpo-Santo imprimiu por conta própria, com a exceção de um dos nove volumes, sua obra completa, a Ensiqlopédia ou Seis mezes de huma enfermidade. A construção do projeto enciclopédico revela em alguns momentos um processo de criação conturbado, como se o autor tivesse correndo contra o tempo, sem possibilidades de correções, às vezes em um fluxo ininterrupto. O teatro, por exemplo, todo ele datado, teria sido escrito em apenas seis meses, de janeiro a junho de 1866. O presente trabalho gira em torno de uma poética da obra aberta que Qorpo-Santo concede ao leitor. Uma liberdade de intervenção que parte de uma consciência própria de que sua obra é incompleta, talvez até mesmo imperfeita. Ironicamente, o dramaturgo gaúcho intitulou sua obra completa de Ensiqlopédia, o que sugere uma pretensão de universalidade, de completude. No entanto, o que se realiza é um teatro repleto de imperfeições, não estéticas, mas reflexo da condição humana, de um mundo caótico e fragmentado.

Palavras-chave


Qorpo-Santo; Criação literária, Obra aberta, Teatro brasileiro.

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DOI: https://doi.org/10.22456/1981-4526.17645

Revista Nau Literária | ISSN 1981-4526 | Universidade Federal do Rio Grande do Sul