Equador: revisitando o passado, justificando atitudes, construindo um herói

Gisélle Razera

Resumo


O contato com a Literatura Contemporânea portuguesa possibilitou-me observar uma tendência dos escritores atuais em desenvolver narrativas de ficção usando como pano de fundo algumas passagens não ficcionais da história de Portugal. Em especial no Romance Equador de Miguel Sousa Tavares, a tentativa de reexplicar a dominação portuguesa em território africano, mesclando passagens de ficção com realidade pode ter sido uma tentativa de justificar atitudes políticas pretéritas do seu país natal, além de ser uma forma de construir um herói, ainda que sujeito ficcional. Usando como base teorias de Carlo Gizburg sobre temas como choque cultural e exploração do homem pelo homem, e Edward Said sobre a colonização oriental, o presente trabalho apresenta como hipótese ser a distância a principal aliada de Tavares ao contar a sua versão da colonização lusitana com a pena da ficção: a distância temporal - que não possibilita ao leitor questionar as testemunhas desse ato, passado mais de um século; e a distância geográfico-cultural - que facilmente acostumou o nosso olhar, através da perspectiva européia, segundo Said, a aceitar a imagem do povo africano como exótico, e primitivo.

Palavras-chave


Literatura Portuguesa; Exploração; Colonialismo.

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DOI: https://doi.org/10.22456/1981-4526.11070

Revista Nau Literária | ISSN 1981-4526 | Universidade Federal do Rio Grande do Sul