Feminicídios negros na literatura e na sociedade brasileiras: a necropolítica reverberada em mortes motivadas por raça e cultura

Ivana Amorim da Silva

Resumo


Este artigo tem o objetivo de discutir a relação entre as mortes - ficcionais e reais - de mulheres negras (que corporificam a realidade interseccional de gênero e de raça) e o objetivo colonialista - ainda vigente - de silenciar tanto a cultura de matriz africana quanto a luta do feminismo negro por direitos sociais. Essa análise será feita, principalmente, a partir da leitura do conto Maria e de poemas dos livros Olhos D’água (2014) e Poemas da recordação e outros movimentos (2017), da autora Conceição Evaristo, relacionando-os com casos reais de assassinatos que tiveram como alvo as mulheres negras no Brasil. Interessa expor a necropolítica (MBEMBE, 2018) - racista e machista - que rege o interrompimento de vidas como as da personagem literária Maria, por exemplo, do conto de Evaristo (2014), e, fora da ficção, de mulheres como Marielle Franco e Cláudia Silva Ferreira. Desse modo, uma abordagem antropológica do texto literário será necessária para demonstrar o ódio que torna essas mulheres vítimas de práticas neocoloniais violentas, por meio das quais os criminosos buscam aniquilar o poder feminino e negro de retomada e de reivindicação da história, dos direitos e da cultura dos sujeitos afro diaspóricos.

Palavras-chave


literatura brasileira; feminicídios negros; Conceição Evaristo; necropolítica; direitos humanos.

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DOI: https://doi.org/10.22456/1981-4526.105879

Revista Nau Literária | ISSN 1981-4526 | Universidade Federal do Rio Grande do Sul