Carolina Maria de Jesus e a escrita apesar da ausência de “um teto todo seu”

Twyne Soares Ramos

Resumo


Virginia Woolf, em Um teto todo seu, ensaio de 1928, sobre o tema “Mulheres e a ficção”, afirma que uma mulher precisa ter um espaço próprio e dinheiro caso queira escrever literatura. Cerca de trinta anos depois, em 1960, a escritora brasileira Carolina Maria de Jesus, negra, pobre, mãe solo, moradora da favela paulista do Canindé e catadora de materiais recicláveis, transcendeu os requisitos elencados por Woolf para escrever e publicar, e lançou a obra Quarto de despejo: diário de uma favelada, em que narra as agruras de um cotidiano cingido pela extrema pobreza. Ademais, sua subalternidade desafiou a ausência de condições para além das apresentadas por Woolf, já que Carolina era uma mulher negra e que sua dedicação à leitura e à escrita era rechaçada dentro e fora da favela. Desse modo, partindo do argumento de Woolf sobre a produção literária de mulheres, este artigo pretende discorrer a respeito das restrições, de diferentes ordens, transpostas pela escrita de Carolina em Quarto de despejo, bem como sobre seu projeto de vida ancorado na escrita e na publicação de um livro.

Palavras-chave


Carolina Maria de Jesus; Quarto de despejo; Virginia Woolf; Um teto todo seu; Escrita

Texto completo:

PDF


DOI: https://doi.org/10.22456/1981-4526.105871

Revista Nau Literária | ISSN 1981-4526 | Universidade Federal do Rio Grande do Sul