Pandora hesiódica

Bruno Palavro

Resumo


Estudo a figura de Pandora, a mulher original nos poemas hesiódicos Theogonia e Os trabalhos e os dias, datados de aproximadamente 700 a. C. Faço considerações sobre a dimensão etiológica das narrativas míti-cas e sobre a configuração sociocultural do mito enquanto definidor de verdades fundamentais do mundo. Apre-sento uma tradução comentada de ambas as versões do mito: Theogonia, v. 507-616 e Os trabalhos e os dias, v. 42-105. Comento os episódios visando a uma compreensão interpretativa do papel de Pandora na cosmologia grega arcaica enquanto arquétipo da mulher-esposa e sobre as interfaces dos planos imortal e mortal no contexto da partilha divina. Desenvolvo em seguida um estudo comparativo dos momentos de criação da mulher original, observando o destaque dado ao corpo e aos adornos de Pandora como pressupostos da feminilidade e do artifí-cio, somados às associações da figura feminina à procriação e à fertilidade. Finalizo com considerações sobre Hesíodo enquanto poeta épico didático, bem como sobre o papel da poesia na educação dos meninos e no cultivo da vida social dos homens, entendendo o caso da Pandora hesiódica como derivação da dominação social mascu-lina para um plano ontológico, reafirmada a partir da materialização poética do mito que converge, desde o plano divino, para uma cosmologia patriarcal.

Palavras-chave


Pandora; mulher; mal; Hesíodo; poesia grega.

Texto completo:

PDF


DOI: https://doi.org/10.22456/1981-4526.105768

Revista Nau Literária | ISSN 1981-4526 | Universidade Federal do Rio Grande do Sul