O barroco e a ordem pós-burguesa: se um extravio na formação do sistema literário brasileiro

João Guilherme Dayrell

Resumo


Partiremos da ressalva feita por Haroldo de Campos em “O paradigma aberto”, último capítulo de O sequestro do barroco na Formação da literatura brasileira: o caso Gregório de Matos (1986), para destacar dois momentos da obra de Antônio Cândido, quais sejam, Formação da literatura brasileira (1959) e “Dialética da malandragem” (1970). Assim, demonstraremos: 1) a reconfiguração da proposição historiográfica de um sistema literário na passagem de um texto ao outro a partir do trabalho crítico e, 2) os instrumentos que este reposicionamento confere para reduzir o modo de ser nacional à forma de vida de uma classe oprimida, operação originalmente dialética nos estudos literários brasileiros, segundo “Pressupostos, salvo engano, de ‘Dialética da malandragem” (1987), de Roberto Schwarz. Doravante, tomaremos origem deste novo sistema, a saber, a sátira barroca de Gregório de Matos, para mostrar seu percurso pela critica e historiografia literária brasileira e especular como sua recepção extraviada, caso se adote a tese de João Adolfo Hansen em A sátira e o engenho (1989), pode conferir um caráter ambíguo às funções do “modo de ser brasileiro” como parte e processo da cena contemporânea.

Palavras-chave


Barroco; ordem pós-burguesa; sistema literário

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DOI: https://doi.org/10.22456/1981-4526.102664

Revista Nau Literária | ISSN 1981-4526 | Universidade Federal do Rio Grande do Sul