Da natureza do artifício e dos artifícios da natureza: Simondon entre o natural e o artificial

Luis Artur Costa, Tania Mara Galli Fonseca, Margarete Axt

Resumo


O presente artigo é um ensaio sobre as possibilidades oriundas de distintas construções do conceito de natureza e a longa série de binarismos que pode daí advir: natureza e artifício, natureza e homem, natureza e cultura, etc. Desde a antiguidade até os nossos dias o construto “natural” serve para garantir unidade, estabilidade e harmonia para a ontologia, impedindo que o devir e a diferença maculem as simetrias do ser. No entanto, desde a mesma antiguidade temos uma série de propostas alternativas a este mundo: são perspectivas que afirmam o mundo como uma relação em devir, vendo tensão e criação como base da ontologia do mesmo. Um destes mundos é o que nos é apresentado pela filosofia de Gilbert Simondon: singularidades nômades em relação, tensão, disparando, transduzindo, produzindo um ser metaestável que torna patente ao nosso pensamento a impossibilidade de separar o artifício da natureza, diluindo toda a série conseqüente de binarismos que daí decorrem. Tal perspectiva nos abre a possibilidade de pensar a tecnologia de outras maneiras, para além das tecnofilias progressistas ou tecnofobias apocalípticas, esquecendo a lógica da dominação e substituição para poder pensar a relação homem-tecnologia a partir de uma ética da diferença.

Palavras-chave


Natureza, Tecnologia, Ontologia, Simondon, Subjetividade

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DOI: https://doi.org/10.22456/1982-1654.20866

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