“MINGA” E AIR EM PERSPECTIVA COMPARADA. Formas e significados nos protestos indígenas na Colômbia e no Brasil

Ruano,$space}Elizabeth
Departamento de Estudos Latino-americanos (ELA) Universidade de Brasília, 20 de maio de 2013, UnB
outubro, 2018
 

Resumo

Esta tese analisou, em perspectiva comparada, a “MINGA” e o AIR, protestos indígenas complexos realizados na Colômbia e no Brasil, respectivamente. O termo “MINGA”, sempre entre aspas e letras maiúsculas, busca diferenciar o protesto analisado nesta tese de outros fenômenos que também adotaram essa nomeação. Metodologicamente, optou-se por uma abordagem baseada na etnografia histórica, na análise do discurso crítica e na comparação analítica de casos específicos destacando os dados empíricos. A pesquisa documental abrangeu 149 documentos, observações diretas durante aproximadamente seis meses – dezembro de 2010 até fevereiro de 2011 e julho a setembro de 2010 – e 21 entrevistas com líderes dos dois protestos e com representantes de instituições indigenistas não governamentais. A partir do protesto como objeto de estudo e de conceitos partilhados por diferentes disciplinas buscou-se explorar a abordagem interdisciplinar. A noção enquadramentos da ação coletiva demostrou sua eficácia analítica nos estudos sobre o protesto social na sociologia, ciência política, antropologia e psicologia social. O trânsito interdisciplinar proveitoso dessa noção lhe conferiu centralidade no arranjo teórico-metodológico da análise do protesto indígena. A partir dessa noção, ressaltou-se o dinamismo indígena na criação, reelaboração e/ou atualização de significados para os protestos na Colômbia e no Brasil. A pesquisa tomou como ponto de partida um inventário inicial de 15 formas de protesto indígena. A análise comparada da “MINGA” e o AIR permitiu a construção de um inventário final composto por 32 formas de protesto indígena. Esta tese avançou na identificação de 17 novas formas de protesto indígena ainda não referidas na literatura académica. Diante dos dados empíricos, problematizou-se a natureza, o contexto de produção, o lugar de fala dos autores, as categorias discursivas mais frequentes e a dialogicidade entre as fontes pesquisadas. Quadros comparativos, linhas de tempo, fotografias e diários de campo foram importantes na vigilância tanto da fidelidade dos dados, quanto das armadilhas na análise. Os protestos indígenas estudados revelam estruturas de dominação nas relações entre os povos indígenas e os Estados colombiano e brasileiro. Defende-se o potencial analítico da categoria nativa protesto e das dimensões formas e significados na compreensão dessas relações. A análise revelou que, apesar dos direitos indígenas nesses países terem sido garantidos constitucionalmente, ainda continuam vigentes práticas sociais autoritárias que limitam seu pleno exercício. A tese evidenciou que as dimensões moral e simbólica desdobram-se em indicadores de satisfação que ratificam a eficácia dos protestos.