População indígena de Boa Vista/RR : uma análise sócio-econômica

Souza,$space}Ana Hilda Carvalho de
Programa de Pós-Graduação em Economia, Universidade Federal do Rio Grande do Sul
janeiro, 2009
Texto completo (portal externo)
 

Resumo

O desenvolvimento econômico mostra-se um instrumento fundamental numa das questões cruciais a toda a população e aos formuladores de políticas públicas: a melhoria das condições de vida do homem e a redução da pobreza. A ciência econômica ensina que a melhor forma para se atingir tal condição é através de políticas e programações econômicas. A urbanização de populações indígenas constitui um fenômeno crescente e esse processo vem se dando com sérios problemas econômicos e sociais. Neste contexto manifesta-se a necessidade de implementar políticas diferenciadas que os atenda de acordo com suas especificidades, haja vista que este contexto cultural os coloca em situação de vulnerabilidade frente a pressões econômicas e políticas. Para tratar desse enfoque, o presente trabalho investiga a situação sócio-econômica dos indígenas que moram em Boa Vista, procurando relacionar e fundamentar esta realidade a partir do ponto de vista da ciência econômica com o aporte de outras ciências sociais. Destarte, foi realizado uma pesquisa tipo descritiva, junto a uma amostra de 384 pessoas residentes em Boa Vista que se auto-identificam como indígena, investigando aspectos relacionados a marginalização, estado de pobreza e acesso ao mercado de trabalho. A abordagem interdisciplinar identifica que a relação entre indígenas e não-indígenas em Boa Vista, está mediado por valores peculiares da situação de contato interétnico, levando a uma reelaboração sincrética de seus saberes e criando uma hibridação cultural. Diante desta realidade, foi possível constatar que tornam-se vítimas provenientes das falhas existentes no mercado, devido a falta de conhecimento e informação sobre sua dinâmica, vivendo em situação de extrema pobreza, geralmente situados em áreas periféricas da cidade. Adicionalmente discutem-se as políticas públicas que podem promover o equacionamento dessa situação.