Ação comunicativa & educação indígena intercultural e emancipatória : encontro entre dois mundos possíveis?

Travessini,$space}Neodir Paulo
Programa de Pós-Graduação em Educação, Universidade Federal do Rio Grande do Sul
março, 2011
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Resumo

Nossa pretensão nesta tese consiste em melhor compreender as complexas interações interétnicas estabelecidas entre sujeitos/atores sociais vinculados a tradições socioculturais distintas: a modernidade com sua razão instrumental, e, seus imperativos sistêmicos que lhes são inerentes, em sua interação dialética com o mundo da vida indígena. Assim, se faz mister a apropriação do conceito de educação intercultural e emancipatória que desempenha a tarefa de mediadora das interações interétnicas, na medida em que prepara estes sujeitos/atores do ponto de vista da competência comunicativa com vistas a possibilitar o entendimento intersubjetivo, capacitando-os em termos da necessária autonomia para que estejam habilitados a explicitar o seu entendimento acerca de uma vida boa, calcada nos princípios da justiça e da felicidade. Nesse sentido, a Teoria da Ação Comunicativa habermasiana se nos apresenta como uma das mais profícuas abordagens com vistas a melhor compreender a temática da educação indígena, na medida em que o autor promove uma mudança paradigmática no contexto do pensamento filosófico: ele desloca a abordagem filosófica de uma posição transcendental metafísica para o contexto pragmático da filosofia da linguagem. Para melhor compreender o problema, educação indígena, no contexto de fricção e, fundamentalmente, de comunicação entre a cultura dos povos indígenas do Brasil e a cultura da modernidade, há que se recorrer ao conceito de tempo com vistas a situar as relações interétnicas em uma dimensão de ordem temporal: contexto em que somente se exige a durabilidade do processo comunicativo como o único fator de medição temporal. Daí que importa explicitar a ação comunicativa como a estratégia de ação mais adequada para contemplar as pretensões de validade de todos os concernidos no processo ensino aprendizagem. Para cumprir com tal exigência há que se estabelecerem fortes vínculos entre um projeto étnico-político educacional com os pressupostos da racionalidade comunicativa, de modo a garantir que nenhuma dimensão do mundo da vida indígena será lesada, respeitando assim o viver ameríndio em sua íntima interação com a natureza.