Dossiê "Os Povos Indígenas e a Covid 19"

Ao longo dos anos a antropologia tem desenvolvido reflexões críticas sobre saúde e doença. Inicialmente dedicada a compreensão das lógicas e práticas “exóticas”, pelo menos desde a década de 1970, a antropologia produz estudos que privilegiam modelos de atenção à saúde, de caráter relacional e que enfatizam reflexões contundentes no campo das desigualdades sociais, determinantes sociais em saúde , bem como relações de poder e negociações frente aos diversos modelos de atenção à saúde e ao modelo biomédico. Esse dossiê pretende trazer para o centro da reflexão antropológica o tema da saúde indígena a partir da pandemia da Covid-19 no Brasil. Desde o início da pandemia houve uma forte preocupação com os efeitos desta doença entre os povos indígenas. Isto mobilizou indígenas, antropólogos, médicos sanitaristas e indigenistas em diversas frentes, com a publicação de notas oficiais, lives, ações judiciais e boletins com dados e mapas contendo ações, intensidade e propagação do vírus nessa população específica. Essas mobilizações alertavam sobre os desafios enfrentados pelos povos indígenas desde o início da pandemia de Covid-19 e as estratégias nacionais e locais para enfrentar os múltiplos desafios postos pela pandemia. Nesse dossiê serão bem vindos relatos etnográficos de experiências de enfrentamento à Covid-19, reflexões sobre mobilizações sociais realizadas pelos próprios indígenas e demais movimentos sociais, as relações entre os povos indígenas e o Estado em contexto de crise sanitária e humanitária, bem como reflexões teóricas e metodológicas sobre os desafios de se fazer pesquisa antropológica entre povos indígenas durante a pandemia.


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