Chamada sobre Science Diplomacy – Dossiê temático

A ideia de ‘Science Diplomacy” surgiu após a Segunda Guerra Mundial, quando cientistas, diplomatas e outras autoridades passaram a discutir as oportunidades e os riscos da proliferação nuclear. É nesse contexto que Albert Einstein e Bertrand Russell publicaram, em 1955, em meio a Guerra Fria, um manifesto que ficou conhecido por apresentar os riscos do uso de armas nucleares e por incitar a comunidade internacional para pressionar os líderes em favor da solução pacífica de controvérsias.

O manifesto Einstein-Russell influenciou a realização, por parte da comunidade científica internacional, das Conferências de Pungwash, cuja finalidade era a promoção da paz. Os esforços das Conferências foram reconhecidos com o Prêmio Nobel da Paz em 1995. Mais recentemente, dois acontecimentos foram elementares para entender a evolução da diplomacia científica:  o famoso discurso de Barack Obama, em 2008, no Cairo, que destacou a importância da ciência para a construção da confiança mútua entre países e povos; e o memorando “New Frontiers in Science Diplomacy”, publicado em 2010, nos Estados Unidos, pela Royal Society no Reino Unido e a American Association for the Advancement of Science (AAAS), com o intuito de estruturar conceitos e elucidar agendas e casos.    

Nos últimos anos, os debates sobre problemas complexos de ordem global, como as mudanças climáticas ou a governança da internet, colocam a diplomacia científica no centro da agenda internacional. Não por acaso, Estados como a República Popular da China e organizações internacionais como a União Europeia elaboraram estratégias específicas para a diplomacia científica. Esse campo tem mostrado grande potencial para unir atores estratégicos como diplomatas, cientistas, setor privado e gestores públicos em favor de discussões de política externa mais amplas e com altíssimo nível de expertise. Por outro lado, a despeito da sua importância, o saber científico continua a sofrer ataques oriundos das mais diversas frentes, colocando em risco o futuro da humanidade.

  Em agosto de 2019, São Paulo School of Advanced Science on Science Diplomacy and Innovation Diplomacy (InnSciD SP) reuniu com apoio da FAPESP e da ESPCA, pesquisadores de perfis multidisciplinares, autoridades, representantes do setor público e privado de 30 países para discutir agendas de Diplomacia Científica e de Inovação. Essa chamada, realizada pela Revista Conjuntura Austral, em parceria com a InnSciD SP, é fruto da necessidade constatada de mais espaços para difusão de discussões sobre a temática. Espera-se, assim, fortalecer o debate sobre a importância das ciências através de uma contribuição das Relações Internacionais e Ciência Política.  

Essa edição especial irá compor o volume 11, n. 54 da Conjuntura Austral, a ser publicado em junho de 2020. A deadline para submissão é Fevereiro, 29, 2020.

Organizadores: Prof. Dr. André Reis da Silva (PPGEEI-UFRGS),Profª Drª Janina Onuki (IRI-USP),  Prof. Dr. Tomaz Espósito Neto (UFGD).

Equipe Editorial: André Reis da Silva, Camille Amorim, Vinicius Mallmann