Prevalência e perfil de resistência aos Antimicrobianos dos Sorovares de Salmonella sp isoladas de carcaças de frango e peru na Região Sul do Brasil no período de 2004-2006

André Luiz Bagolin Palmeira

Abstract


A Salmonella sp. permanece com um dos mais importantes patógenos transmissores de enfermidades veiculadas através dos alimentos em todo mundo. A carne de aves está entre as principais causadoras das toxinfecções alimentares quando contaminadas pelo gênero Salmonella. Neste estudo foram isolados 280 sorovares de Salmonella das carcaças de frango e peru através do Programa de Redução de Patógenos (PRP-MAPA) na região sul do país. Foram 25 os sorovares de Salmonella sp isolados das carcaças de aves. Destes apenas 14 em perus e 23 nos frangos. A S. Tennessee e Salmonella enterica subespecie enterica (O: 4,5), foram isoladas somente em carcaças de perus e a S. Hadar foi a mais prevalente (18,6%). A maior prevalência ocorreu para a Salmonella Enteritidis (55,7%). Nas carcaças de frango, a S. Enteritidis alcançou 63,3% dos isolados, porém nas carcaças de peru este sorovar não passou dos 14,0%. Entre os estados do sul (PR, SC e RS), não houve diferenças nos isolados de S.Enteritidis. Nos testes de difusão em placas, foram desafiadas 178 cepas frente a 24 antimicrobianos. Todas as cepas de Salmonella sp foram resistentes a bacitracina e a penicilina e 78,2% apresentaram resistência a pelo menos um antimicrobiano quando excluídas as drogas anteriormente citadas, sendo que todas as amostras foram sensíveis a amoxicilina + ácido clavulânico, polimixina B, ciprofloxacina e norfloxacina. A maior taxa de resistência das amostras foi observada frente ao ácido nalidíxico de 52,2%, seguido da nitrofurantoína (28,8%), neomicina (14,6), tetraciclina (12,4%) e canamicina (10,1%). Nas amostras isoladas de perus estes índices foram maiores para o ácido nalidíxico (62,8%), tetraciclina (34,9%) e neomicina (30,2%), havendo diferenças significativas para os dois últimos quando comparados aos isolados de frango. Embora o índice de resistência a enrofloxacina de 2,2% no segmento aves seja baixo, chama atenção que, por tratar-se de um antimicrobiano quimicamente modificado a taxa de resistência nas amostras de perus tenha sido de 9,3%.O sorovar S. Enteritidis apresentou a maior taxa de resistência ao ácido nalidíxico (72,0%) e menor para tetraciclina (1,1%). Por outro lado, foi comprovada a presença de cepas multiresistentes em 46,1% dos isolados das carcaças de aves, principalmente nas amostras de perus nos sorovares S. Hadar e S. Saintpaul, que foram resistentes no mínimo a quatro e no máximo onze antimicrobianos. Este estudo demonstrou qual a prevalência e o perfil de resistência aos antimicrobianos dos sorovares de Salmonella sp isoladas das carcaças de aves na região Sul do Brasil e devido a sua importância em saúde animal e saúde pública, pode sugerir a criação de um Programa Nacional de Monitoramento da Resistência Bacteriana aos Antimicrobianos.


Keywords


Antimicrobianos; Frangos; Multiresitência; Perus; Salmonella; Resistência



DOI: https://doi.org/10.22456/1679-9216.17263

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