Associações entre o isolamento de Candida albicans com a infecção pelo vírus da leucemia felina (FeLV), tratamentos com corticosteróides ou antimicrobianos em gatos

Laerte Ferreiro, João Pessoa Riograndense Moreira Jr., Carin Elisabete Appelt, Vanessa Berg, Izamara Aparecida de Oliveira, Adriana Cunha Muschner, Dilmara Reischak, René Chermette

Abstract


Candida albicans  , integrante da microbiota normal do trato intestinal de muitos mamíferos e aves, raramente é isolada da pele de animais saudáveis, contudo, alterações no sistema imune podem favorecer o seu desenvolvimento. Para verificar possíveis associações com o vírus da leucemia felina (FeLV), tratamentos com corticosteróides ou antimicrobianos e outros parâmetros, foram obtidas 150 amostras do pelame e das mucosas bucal e anal de gatos da região metropolitana de Porto Alegre, RS. Os diversos materiais foram cultivados em ágar Sabouraud suplementado com cloranfenicol. O sangue foi examinado através da imunofluorescência indireta (IFA). O único fungo isolado foi Candida albicans: 8,7% (mucosa bucal), 6,7% (pele) e 1,3% (mucosa anal). O teste IFA detectou 24,7% (37) gatos soropositivos. O teste do Qui-Quadrado indicou associações significativas entre presença de Candida albicans na pele ou na mucosa bucal e : infecção por FeLV; terapia (até 60 dias anteriores à obtenção dos materiais) com antimicrobianos ou corticosteróides; lesões na mucosa bucal; lesões na pele e, linfonodos mandibulares aumentados. Por outro lado, não houve associação entre Candida albicans na pele ou na mucosa bucal com idade, sexo, raça, habitat ou presença de diarréia. A análise de regressão logística, indicou que as chances de isolamento da mucosa bucal e da pele são , respectivamente 8,8 e 5,3 vezes maiores nos gatos soropositivos e, 6,8 e 9,8 vezes maiores naqueles previamente tratados com antimicrobianos. As chances de isolamento são ainda mais altas, isto é, 13,4 (mucosa bucal) e 16,0 (pele) vezes maiores nos gatos sob corticoterapia. Embora existam observações contraditórias, os resultados obtidos, sugerem que a presença da levedura esteja freqüentemente relacionada a uma depressão do sistema imune, pois os gatos FeLV positivos sintomáticos, ou aqueles tratados com corticosteróides, foram os mais susceptíveis à colonização por Candida albicans.

Keywords


Candida albicans; FeLV; Gatos; Imunodepressão; Antimicrobianos; Corticosteróides



DOI: https://doi.org/10.22456/1679-9216.17228

Copyright (c) 2018 Laerte Ferreiro, João Pessoa Riograndense Moreira Jr., Carin Elisabete Appelt, Vanessa Berg, Izamara Aparecida de Oliveira, Adriana Cunha Muschner, Dilmara Reischak, René Chermette

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