Paenibacillus larvae subespécie larvae em produtos da colméia produzidos e importados pelo Brasil: métodos de análise, perfis de resistência, isolamento de bacteriófagos e sua identificaçãopor microscopia eletrônica de transmissão

Dulce Maria Tocchetto Schuch

Abstract


A Cria Pútrida Americana, doença conhecida internacionalmente pela sigla AFB (American Foulbrood), é uma das mais devastadoras enfermidades que acomete o estagio larval das abelhas

 

 

Apis mellifera, cujo agente etiológico é o microrganismo Paenibacillus larvae subsp. larvae. Apenas a forma esporulada do agente é infectante, sendo a forma vegetativa inócua, tanto para as crias como para as abelhas adultas. A doença é produzida pela ingestão de esporos do agente por larvas de menos de 3 dias de vida. A enfermidade se manifesta tanto em crias de operárias, como de machos e de rainhas. Até o momento, a Cria Pútrida Americana não foi diagnosticada no Brasil e ainda não havia sido registrado o isolamento do agente etiológico da enfermidade em produtos e/ou materiais apícolas produzidos no país. Esta tese está constituída dos resultados de sete experimentos relacionados com o tema. O primeiro foi o estudo de método analítico para a detecção de esporos do agente que resultou na publicação denominada “An improved method for the detection and  presumptive identification of Paenibacillus larvae subsp. larvae spores in honey. Esta metodologia foi adotada como método oficial brasileiro, tendo sido publicada no Journal of Apicultural Research 40(2), pp.59-64, 2001. Com este método foi estudada uma região suspeita da ocorrência de Cria Pútrida Americana no Sul do Brasil que resultou no primeiro isolamento de esporos de Paenibacillus larvae subsp. larvae em produto da colméia no Brasil. Aplicando o mesmo método foram estudados 1412 lotes de mel e pólen importados pelo Brasil no período de 1998 e 2001. Do total de lotes analisados, 347 (24,6%) se apresentaram contaminados por esporos de Paenibacillus larvae subsp. larvae. Os perfís de resistência contra oxitetraciclina, sulfametazina e sulfatiazol demonstrados por 310 isolados de P.larvae subsp.larvae, selecionados de amostras de mel e pólen importados pelo Brasil de 5 diferentes países, foram avaliados. Somente 13 das 310 culturas estudadas (4,2%) foram resistentes à oxitetraciclina, enquanto 227 (73,2%) foram resistentes à sulfametazina, 198(63,8%) foram resistentes ao sulfatiazol, e 187 (60,3%) foram resistentes a ambas as sulfas. Apenas 3,5% (11 culturas) foram resistentes a todos os antimicrobianos testados. Ao acaso, foram detectados 6 fagos temperados de culturas de P.larvae subsp. larvae durante os ensaios de sensibilidade aos antimicrobianos. Foi estudada a ocorrência de fagos líticos diretamente do mel e pólen, o que resultou no isolamento 9 bacteriófagos líticos. Dois lisados foram submetidos a microscopia eletrônica de transmissão em JEOL JEM 1200 - 120 Kv e resultou na observação de um fago cúbico e 3 fagos cúbicos.


Keywords


Paenibacillus larvae subsp. Larvae; Mel; Pólen; Brasil; Bacteriófagos; Antimicrobianos; Microscopia eletrônica de transmissão



DOI: https://doi.org/10.22456/1679-9216.17084

Copyright (c) 2018 Dulce Maria Tocchetto Schuch

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