Natimortalidade suína em granjas industriais: distribuição, qualidade dos registros do parto e causas associadas à natimortalidade pré-parto, intraparto e pós-nascimento

Luís Gustavo Schneider

Abstract


O objetivo do presente estudo foi analisar aspectos ligados à natimortalidade de leitões em granjas de suinocultura industrial. No total observaram-se 908 partos em 6 granjas. Em cada unidade os partos foram acompanhados em um período médio de 2 semanas, observados nas 24h do dia. Todos os leitões paridos no período de observação foram identificados como fetos mumificados (MUM), natimortos (NAT), leitões nascidos vivos e totais. Os leitões NAT foram necropsiados e classificados como NAT pré-parto (PP), NAT intraparto (IP) e NAT pós-nascimento (PN). As variáveis coletadas nos partos observados foram: ordem de parto (OP); duração da gestação (DURG); escore corporal visual ao início do parto (ECV); duração do parto (DURAP); funcionário que atendeu o parto (FUNC); pressão de assistência ao parto (PAP); temperatura no interior da sala de parto ao início do parto (TEMP) e genética da fêmea (GEN). Em 4 granjas, ao final dos partos obtiveram-se os registros dos fetos MUM, leitões NAT e vivos segundo os funcionários (FUNCs) atendentes do parto para a posterior comparação com os resultados obtidos segundo a análise observacional. A análise estatística processouse através do estudo das diferenças observadas nos escores médios dos rankings, para as variáveis respostas PP, IP, PN e NAT segundo as diversas categorias das variáveis coletadas através do teste não-paramétrico de Wilcoxon, sendo as diferenças testadas pelo teste de Kruskal-Wallis. As médias das diferenças entre os registros quanto aos fetos MUM, leitões NAT, vivos e totais, efetuados pelos FUNCs e análise observacional durante o período de estudo, foram comparadas pelo teste “t” para amostras pareadas. Do total de fêmeas observadas (n= 908), aproximadamente 47% dessas pariram na ausência de NAT e apenas 24,1% das matrizes, as quais apresentaram 2 ou mais NAT ao parto, foram responsáveis por 69,5% da natimortalidade. Quanto ao momento da morte dos leitões NAT nas 6 granjas estudadas, a natimortalidade PP variou de 9,1 a 39,1%, a IP de 51,2 a 77,3% e a PN de 8,1 a 19,4%. As variáveis que influenciaram a natimortalidade (PP, IP, PN e NAT) foram a OP, o tamanho da leitegada (TL) e o FUNC atendente do parto. As fêmeas de OP > 5 apresentaram uma maior ocorrência de NAT que nas demais categorias de OP. A OP influenciou a natimortalidade IP, PN e NAT (P<0,05). Da mesma forma, leitegadas com mais de 12 leitões nascidos totais apresentaram uma maior natimortalidade que leitegadas com menos de 12 leitões. O TL foi capaz de influenciar a natimortalidade PP, IP, PN e NAT (P<0,05). O FUNC atendente do parto influenciou a natimortalidade IP e PN (P<0,05). Quanto aos erros de registros, observou-se que os fetos MUM e leitões nascidos totais foram os que apresentaram maiores falhas de anotações, sendo as diferenças significativas em todas as granjas estudadas (P<0,05).


Keywords


Natimortalidade de leitões; Natimortos; Partos; Momento da morte; Pré-parto; Intraparto; Pós-nascimento; Ordem de parto; Tamanho da leitegada; Funcionário; Erros de registro



DOI: https://doi.org/10.22456/1679-9216.17039

Copyright (c) 2018 Luís Gustavo Schneider

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