Memória, identidade e digitalização de bens culturais: o legado da Missão de Pesquisas Folclóricas no Brasil

Autores

  • Urbano Lemos Jr Doutorando pelo Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Anhembi Morumbi. Bolsista Prosup/Capes. https://orcid.org/0000-0002-7197-5580
  • Vicente Gosciola Professor Titular do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Anhembi Morumbi. https://orcid.org/0000-0001-6267-8130

DOI:

https://doi.org/10.19132/1808-5245260.181-205

Palavras-chave:

Patrimônio, Digitalização, Memória, Identidade Cultural, Missão de Pesquisas Folclóricas

Resumo

O artigo resgata uma iniciativa inédita e visionária. Em 1938, Mário de Andrade constata a necessidade de registrar manifestações culturais populares sob o risco de desaparecer com a crescente urbanização do país e envia uma equipe ao Norte e Nordeste do Brasil para a Missão de Pesquisas Folclóricas. O grupo reúne um legado por meio de registros sonoros e audiovisuais. Passados mais de sessenta anos, o material foi digitalizado e hoje é um dos mais importantes registros culturais brasileiros. O estudo aponta essa diligência como percursora em busca de uma consciência preservacionista em solo brasileiro, já que preconiza a importância do registro de materiais sobre patrimônios culturais e sua enorme relevância para a preservação de memórias e identidades. Deste modo, o objetivo do artigo é alumbrar sobre os novos procedimentos de conservação, divulgação e difusão de bens culturais na contemporaneidade. A metodologia empregada é analisar tanto a formatação de um produto físico com materiais digitalizados quanto o desenvolvimento de uma plataforma web com possibilidades significativas para a preservação e difusão de bens culturais. O estudo recorre a teoria da modernidade tardia para dissertar sobre o caráter de continuidade de tradições que são reincorporadas e reinventadas no ciberespaço. Os resultados da pesquisa buscam ampliar o debate sobre a importância da digitalização de documentos sobre patrimônios culturais e sua consequente preservação. Conclui-se, portanto, que a digitalização pode tornar-se um repositório capaz de conservar e difundir os valores culturais de um patrimônio, contribuindo com a preservação de memórias e a formação de identidades.

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Biografia do Autor

Urbano Lemos Jr, Doutorando pelo Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Anhembi Morumbi. Bolsista Prosup/Capes.

Doutorando em Comunicação, mestre em Educação, pós-graduado em Teorias da Comunicação e em Docência do Ensino Superior e graduado em Jornalismo.

Vicente Gosciola, Professor Titular do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Anhembi Morumbi.

Pós-doutor pela Universidade do Algarve-CIAC, Portugal. Doutor em Comunicação pela PUC-SP. Mestre em Ciências da Comunicação pela ECA-USP. Professor Titular do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Anhembi Morumbi.

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Publicado

2020-11-07

Como Citar

LEMOS JR, U.; GOSCIOLA, V. Memória, identidade e digitalização de bens culturais: o legado da Missão de Pesquisas Folclóricas no Brasil. Em Questão, Porto Alegre, v. 26, p. 181–205, 2020. DOI: 10.19132/1808-5245260.181-205. Disponível em: https://seer.ufrgs.br/index.php/EmQuestao/article/view/105876. Acesso em: 27 fev. 2024.

Edição

Seção

Dossiê Patrimônio e Culturas Tradicionais