Acordo Nuclear Brasil-Alemanha Federal de 1975: O desafio brasileiro na estratégia de soberania internacional

Fabiano Farias de Souza

Resumo


A assinatura do Acordo Nuclear entre Brasil e Alemanha Federal 27 de Junho de 1975 tornou-se o fato histórico mais emblemático da divergência entre Brasília e Washington. A realização desse Acordo incluía a transferência integral da tecnologia atômica com a empresa alemã Kraftwerk e, conseqüentemente, dotaria o país de autonomia em todo o ciclo de tecnologia nuclear. Este ponto revelou-se o pomo da discórdia com Washington que se posicionou abertamente contra alegando risco à proliferação nuclear. O contencioso em torno do tema nuclear, que perpassou o mandato de três presidentes norte-americanos (Nixon, Ford e Carter), teve seu ponto mais crítico no governo democrata de Jimmy Carter, que tentava a realização das promessas de sua campanha presidencial, entre elas, o maior controle sobre a proliferação nuclear e a revisão do apoio às ditaduras militares latino-americanas. Entretanto, o desenvolvimento econômico engendrado pelo Brasil e o sensível distanciamento da órbita norte-americano, complementado pelas aproximações com outros pólos avançados do capitalismo, principalmente, a Alemanha Federal, possibilitaram nova opção de investimentos e obtenção de tecnologia. Assim, o Brasil e a Alemanha Federal, também amparada no dinamismo de sua economia, confirmaram o acordo e conservaram a ambição mútua de demonstrar a independência e afirmação de sua política exterior no cenário internacional. 

Palavras-chave


Palavras-chave: tecnologia nuclear; desenvolvimento econômico; política internacional

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Universidade Federal do Rio Grande do Sul - ISSN 1984-5634