Hölderlin e a autoridade da ficção: Relendo as Observações e Coragem de Poeta (Dichtermut) com olhos contemporâneos

Kathrin Rosenfield

Resumo


Este artigo parte da reflexão hölderliniana sobre o Eu absoluto de Fichte e o deslocamento do seu interesse para a poetologia: a lógica do estado poético que adivinha, nas metáforas, uma dimensão aquém e além da linguagem discursiva. Somente à expressão poética dá acesso a outras formas de ser e saber, não mais centradas sobre a consciência e o conhecimento do sujeito. Perseguindo esta exploração poetológica, Hölderlin volta-se para Sófocles, esboça as primeiras reflexões sobre a alteridade deste sujeito (poético) descentrado. Mais “alma” que consciência (mestra de si), ele se move num espaço-tempo que escapam em grande parte à vontade do sujeito consciente de si e do mundo. Estas reflexões preparam a ideia nietzscheana da tensão entre o dionisíaco e o apolíneo; elas inspiraram Heidegger (entre outros autores como Lacan e Derrida) e esboçaram os traços centrais de algumas abordagens contemporâneas sobre as relações entre idéias da razão e representação literária, e sobre a autoria e a autoridade da ficção (B. Williams, J. M. Coetzee).


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