Notícias

Chamada aberta para o próximo número

 
Literatura: a Emergência do Político

“Tomar posição é situar-se pelo menos duas vezes, em pelo menos duas frentes que toda po-sição comporta, pois toda posição é, fatalmente, relativa”. É desse ponto de vista de que parte Georges Didi-Huberman para estudar a obra do poeta e dramaturgo Bertolt Brecht. Desse modo, a condição de exilado de Brecht ganha uma singular importância no que se re-fere à tomada de posição política, como se, estando no entre-lugar, Brecht pudesse medir distâncias, confrontar ideias, assumir posições dentro de seu projeto artístico e avaliar o transcurso da história na formação das mentalidades sociais. Assim, também o público é convidado a tomar posição diante dos antagonismos e contradições que perpassam a obra de Brecht, bem como o próprio mundo do pós-guerra, o que faz Jacques Rancière, por sua vez, entender a obra de Brecht como instauradora de uma distância entre o autor e seu pú-blico. Para Rancière, o teatro brechtiano assume a função pedagógica de orientar o ponto de vista do público, oferecendo-lhe uma perspectiva – uma posição –, orientando o seu olhar, o que, portanto, faz com que as posições do autor e do público sejam diametralmente opostas, infinitas, uma vez que um assume a condição de mestre, ao passo que o outro é o ignorante. Com isso, pensada como uma literatura política, as obras brechtianas põem-se contra a de-mocracia e a emancipação que estão na base da experiência literária. Seja como for, do exemplo de Brecht se destaca a ambiguidade da arte engajadamente política: ao mesmo tempo em que toma posição para falar de seu lugar e contexto, criando imagens políticas que intervêm no debate político de onde autor, obra e público emergem, ela também trans-cende as fronteiras desse lugar, no sentido de preparar a cena de um porvir que é, no limite, a suposta realização de um mundo que está fora de qualquer contexto histórico, um mundo ainda à espera de acontecer. Logo, o discurso estético se vê presa de uma autofagia histórica – ela está fadada ao desaparecimento pela sua historicidade mais radical – e de uma autofa-gia estética – ela não é apenas arte, devendo, por isso, ser considerada como interventora no âmbito público. E é desse lugar intermediário, tensionado por essa e outras dicotomias, que a obra literária, como qualquer obra de arte, convida à tomada de posição do autor e dos seus diferentes leitores.

Organizadores: Antônio Barros de Brito Junior; Claudia Caimi

Prazo para submissões: 31 de outubro de 2017
 
Publicado: 2017-08-23
 

Chamada aberta para o próximo número

 
Tema - Literatura e confinamento

Como produzir literatura ou arte em situação de confinamento? Esses espaços podem ser o porão ou o sótão, o sanatório, o hospício, o cárcere, o convento, o gueto, o campo de concentração. Independentemente da natureza desses locais, obras foram escritas, criações artísticas se manifestaram, de que são exemplo os livros O cemitério dos vivos, de Lima Barre-to, Recordações da casa dos mortos, de F. Dostoievski, Arquipélago Gulag, de Alexandre Soljenítsin, Memórias do cárcere, de Graciliano Ramos, É isso um homem?, de Primo Levi, ou Zona de interesse, de Martin Amis. Tais relatos, apresentados sobretudo em primeira pessoa sob a forma de memórias, autobiografias, diários, correspondência, crônicas, constituem um corpus expressivo e de qualidade. Dessa matéria se comporá o volume 13, n. 01, de Nau Literária.

Prazo para submissões: 31 de agosto de 2017.
 
Publicado: 2017-07-01
 
1 a 2 de 2 itens