DIFERENCIAIS DE RENDIMENTOS ENTRE ASSALARIADOS NO BRASIL RECENTE
Resumo
O objetivo deste artigo é identificar se as mudanças nas características da População Economicamente Ativa (PEA) são decisivas para explicar a trajetória dos rendimentos médios reais e de seus hiatos, no período de 1995 a 2007, entre os assalariados que têm 4, 8, 11 ou 15 anos ou mais estudo. A metodologia de simulação utilizada é uma adaptação do exercício realizado por Langoni (1973). As simulações foram realizadas para o período de 1995 e 1999 e, em seguida, para o intervalo de 2002 a 2007. A partir dessas simulações, as rendas médias para os assalariados que concluíram as diferentes etapas do ensino formal são estimadas via o efeito escala (vinculado às mudanças na PEA) e efeito renda (associado às rendas individuais). Os resultados das simulações indicaram que no intervalo de 1995 a 1999 predominou o efeito renda. Ou seja, a maior proporção da redução do rendimento médio real, para quase todos os assalariados que concluíram etapas dos ciclos educacionais, se deve mais a mudanças nas rendas individuais per se. O exercício de simulação para o intervalo 2002 a 2007 revelou que o efeito escala e o efeito renda atuaram em direções opostas, porém a magnitude do impacto negativo do efeito renda supera a contribuição positiva do efeito escala. Nesse período, a elevação do rendimento real se deve mais a mudanças nas rendas individuais do que a mudanças na estrutura da força de trabalho. Em suma, no intervalo de 1995 a 2007, os fatores que atuaram sobre as rendas individuais são mais decisivos para a compreensão da trajetória dos salários e dos seus hiatos entre os assalariados estudados.